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Palavras são armas

“a luta de classes é a mãe de todas as lutas”

Palavras são armas

“a luta de classes é a mãe de todas as lutas”

O regresso de Petáin a Paris

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(AQUI)

O recurso contra a ordem do Prefeito de Polícia de proibir a manifestação de solidariedade com o povo da Palestina foi indeferido pelo tribunal administrativo. O evento marcado para este sábado 15 de maio está, portanto, proibido.

Os participantes em manifestações proibidas estão sujeitos à multa de 135 €

 

DECLARAÇÃO DE GUERRA - Samih al Qassim

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Chamas após caças israelenses atacarem a Cidade de Gaza no dia 13 de maio de 2021 [Ashraf Amra/Agência Anadolu]

DECLARAÇÃO DE GUERRA

GRITAREI

 

Enquanto me restem algumas polegadas de terra

 

enquanto me reste uma oliveira

 

uma laranjeira

 

um poço... um bosquezinho de cactus

 

enquanto me restem lembranças

 

uma pequena biblioteca

 

a foto de um antepassado... um muro

 

enquanto restem em meu país palavras árabes

 

e cantos populares,

 

enquanto restem manuscritos de poemas

 

e os contos de Antar Al´Absi

 

as guerras do apelo nas comarcas de Roma e da Pérsia

 

enquanto me restem olhos

 

livros

 

mãos

 

enquanto me reste... alento

 

gritarei de frente ao inimigo

 

gritarei, declaração de guerra

 

em nome de homens livres

 

operários, estudantes, poetas

 

gritarei... e que os parasitas

 

e os inimigos do sol

 

se fartarem do pão da vergonha

 

enquanto me reste alento

 

e alento me restará

 

minha palavra será o pão e a alma

 

entre as mãos dos guerrilheiros

 

Samih al Qassim

سميح القاسم

A mofeta: arma israelita de punição coletiva

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A mofeta: arma israelita de punição coletiva

As forças israelitas usam-na como uma arma de “controlo de massas” para punir coletivamente os civis palestinos que se atrevem a protestar.

Em Nazaré, Haifa, Ramallah, Jerusalém e noutros lugares, os palestinos manifestam-se contra a limpeza étnica permanente praticada pelo regime sionista. Em face da firme resistência das famílias palestinas que se defendem ao serem forçadas a abandonarem as suas casas no bairro de Sheikh Yarrah em Jerusalém e que se manifestam com coragem - porque o fazem sabendo que o que os aguarda é uma repressão brutal do exército sionista e da polícia.

No recinto de Al Aqsa, onde ocorreu grande parte da violência contra os manifestantes, os palestinos foram atacados com gás lacrimogéneo e tiros enquanto oravam. Mais ao sul, Israel lançou ataques aéreos contra Gaza que atingiram edifícios civis e mataram mais de 40 pessoas, incluindo pelo menos 14 menores.

Além das mortes, centenas de pessoas foram feridas por balas reais e de borracha, por gás lacrimogéneo e espancamentos, mas também por uma arma menos conhecida pelos media. Muitos se referem erroneamente como um canhão d'água ou camião de esgoto.

Em árabe chamamos de jarara - literalmente “o cagadeiro”, pelo seu cheiro pútrido. Em inglês, é chamado de skunk water, ou água de mofeta, pelo odor ostensivamente putrefacto que exala. A água de mofeta foi desenvolvida como uma “arma de controle de multidões” por uma empresa israelita chamada Odortec.

É um composto líquido com um odor horrível, descrito por aqueles que o experimentaram como o cheiro de esgoto misturado a cadáveres em decomposição. Na verdade, é uma mistura de produtos químicos que provoca vómitos violentos e náuseas graves e impede a respiração normal. O relatório de segurança da empresa que o fabrica também indica que pode causar irritação na pele, dor nos olhos e dor abdominal. Os palestinos também relataram que causa queda de cabelo.

As forças de segurança que utilizam a água de mofeta dizem que ela não é letal ou tóxica. No entanto, em altas doses, pode ter um efeito letal e, disparada de um canhão de água e pulverizado com pressão extremamente alta, pode causar ferimentos graves. Um pequeno jato de água de mofeta deixa um fedor na pele por dias. Em roupas e edifícios, o fedor pode durar ainda mais. As forças israelitas, é claro, não o estão usando apenas para reprimir protestos; eles também o usam como punição coletiva. Camiões-cisterna passam por bairros palestinos pulverizando prédios em retaliação aos moradores locais que protestavam contra a ocupação israelense e o apartheid.

 

Quando isso acontece, o comércios fecha por dias e as famílias têm de deixar as suas casas por muito tempo até que passe o fedor tornando-se assim uma ferramenta brutal de punição coletiva.

Além de vender água de mofeta ao governo sionista para uso contra os palestinos, a Odortec também exporta. Nos Estados Unidos, é fornecido pela empresa Mistral Security, que recomenda o seu uso nas “passagens de fronteira, prisões, manifestações e ocupações”. Vários departamentos de polícia, como em Ferguson, Missouri, já o adquiriram após os protestos de 2015 contra a brutalidade policial e o racismo institucional.

O facto desta arma desenvolvida por uma empresa israelita estar ganhando adeptos no exterior, não é surpreendente. Israel é o maior exportador de armas e usa os palestinos como cobaias para testar a sua 'eficácia' e 'letalidade'. A Odortec e outros fabricantes israelitas de armas não necessitam de investir em publicidade; os canais de notícias que transmitem as imagens dos ataques brutais do exército israelense fazem o trabalho por eles.

 

Israel exporta armas testadas em civis palestinos para cerca de 130 países, incluindo governos com um historial execrável em direitos humanos.

BRASIL: A banalização da morte e o massacre dos pobres

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Manifestação de solidariedade com os moradores de Jacarezinho sob o lema “não foi uma operação policial, foi um massacre”

Ler aqui »» A banalização da morte e o massacre dos pobres

Neste artigo o autor [Fernando de la Cuadra] sustem que o massacre de Jacarezinho é uma amostra – uma mais – do caráter autoritário e criminoso do regime de Bolsonaro, que procura perpetuar os privilégios das classes dominantes e a desigualdade social necessárias para manter esses privilégios.

O massacre perpetrado recentemente na favela do Jacarezinho, Rio de Janeiro, onde foram assassinados 27 moradores jovens dessa comunidade, reflete visivelmente o caráter de extrema-direita do atual governo que deu carta branca para que as diversas Polícias (Militar, Civil e Federal) ocupassem a sangue e fogo as áreas pobres das principais cidades do Brasil.

Venezuela: o que nos escondem

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Maduro no dia 1º de maio:

"Estamos governando com a classe trabalhadora"

Quando o Ministro do Trabalho, Eduardo Piñate (atual Ministro da Educação) anunciou o aumento do salário mínimo e a cobertura social inerente, a multidão reunida na praça no dia 1º de maio na Venezuela, cumprindo as medidas de prevenção, respondeu com slogans socialistas levantando os punhos. Consciente e organizada, a classe trabalhadora sabe que o presidente Maduro fala a verdade ao afirmar que, para conseguir esse aumento, era preciso "fazer das tripas coração". Um esforço titânico para conseguir os recursos num país submetido durante anos a um violento bloqueio económico-financeiro pelo imperialismo norte-americano.

Trata-se de um aumento de quase 300% em relação ao salário mínimo atual, que é de 1,8 milhão de bolívares e que, com a soma do vale-refeição, chega a 10 milhões de bolívares. Um aumento que atua também nas tabelas salariais de outras categorias, com base nos acordos coletivos já assinados ou - disse o ministro - em vias de ser assinados. Um aumento que induziu a inflação e a guerra à moeda, exacerbada pela gangue de golpistas que agora pressiona para que Biden mantenha as "sanções" a meio da pandemia.

E, de facto, os media hegemónicos enlouqueceram de imediato atribuindo a responsabilidade pela situação não a medidas coercitivas unilaterais, mas ao modelo socialista. É uma pena que se se pergunte a esses "especialistas" qual seria a solução alternativa, mas não respondam, propondo receitas neoliberais: as mesmas contra as quais lutam os povos colombianos, chilenos, hondurenhos e europeus... Enquanto nos países fantoches de Washington os trabalhadores e trabalhadoras que protestam por seus direitos são reprimidos à bala, na Venezuela são o motor da recuperação económico-produtiva.

O setor laboral - disse Maduro no dia 1º de maio - foi o primeiro a apresentar propostas e está “pronto para instalar o Primeiro Conselho Presidencial do Governo Popular do setor operário que foi elaborado durante o Congresso Bicentenário dos Povos”. Um compromisso que, apesar da pandemia e do bloqueio económico, tem fortalecido a implantação em todo o território nacional de 2.450 Conselhos Produtivos de Trabalhadores (CPTT). Órgãos de autogoverno e planificação que, num processo de formação permanente, controlam e orientam a produção e organização do trabalho e a defesa da sabotagem.

 Ferramentas para “governar de baixo para cima buscando soluções com o povo”, continuou Maduro, anunciando esta semana a primeira reunião operacional do Conselho Presidencial da classe trabalhadora. “Este é um poder, esta é uma força nas mãos da classe trabalhadora”, disse o presidente, referindo-se à Central de Trabalhadores Bolivariana de Venezuela, que tem “verdadeiros dirigentes em todas as fábricas e centros de trabalho”.

Uma realidade - disse Maduro - totalmente diferente daquela que levou ao golpe contra Chávez em 2002, organizado também pelos dirigentes da então confederação sindical Ctv, em concertação com a associação patronal Fedecámara.

Resumo da América Latina

Colômbia: “a greve fecha a rua mas abre o caminho”

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Para os media pró-fascistas nacionais e do “mundo-livre”, na América Latina só existe o “ditador” Maduro, sobre a Colômbia com o sanguinário e provocador Duque aparecem pequenas notícias anódinas ou distorcendo a realidade que abafa os crimes da extrema-direita.

Hoje, por exemplo, não encontro nos media uma só referência a estes crimes perpetrados contra o povo colombiano que se manifesta, a imprensa “livre”, como se auto-denomina, é o melhor nutriente do fascismo que vai avançando, depois, com lágrimas de crocodilo, hipócritas que são, fingem lamentar o trabalho sujo que sempre fizeram.

“Para Vasco Gonçalves” - Armando da Silva Carvalho

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“Para Vasco Gonçalves

 

A tua voz excessiva tornava-os mais pequenos.
Eles exigiam-te palavras untuosas,
as secas flores da jactância,
seu sono e alimento.
A verdade saía da tua boca iluminada
e eles tinham os ouvidos postos na mentira
no bocejo intrigante, na fala camuflada.
A tua voz recuada na origem não se perdia
nos afazeres verbais da litigância
não sabia a ganância.
Era o vento dos pobres sobre os metais do luxo.
Não te punhas a embalar o povo
como à criança que tarda a adormecer.
Atiravas-lhe à cara as palavras abruptas
um rosto incorruptível por marés de ferrugem
e gestos de morrer.

A tua fronte vasta tornava-os mais pequenos.
Nela despertava o susto das mães familiares,
o trigo parco dos homens nas tabernas
que te olhavam ingénuos vendo a seara crescer.
Ao colo dos pais os meninos sorriam
e os velhos viam coisas saltar dos teus cabelos.
Mas eras tu que soltavas a vida
amarrada a um poste como um burro de carga
a vida desavinda que os enraivecia
e que lhes dava um coice na pança saciada.

Aqui perde-se o tempo a trabalhar as lendas.
Mas o teu rosto não pode adormecer
sobre a toalha tépida que tece a tua ausência
onde derramo o choro e os outros vão beber.
Porque o teu pulso não suportava a febre
e erguia-se no ar como um pássaro agudo
que respirasse os ventos antes de partir.

Sobre o ladrar dos cães a tua voz alteia
como a papoula que o tempo não desfolha
a coluna de fogo que cai sobre a alcateia.
És o lagar imenso onde as uvas fermentam
sob os pés descalços e vivos da memória.
És a boca que a História utilizou por boca
o corredor onde o orvalho cresce entre a juventude
e os homens se passeiam com trigo na cintura.
Neste lugar de Inverno lembramo-nos de ti
como quem desperta.
Ninguém aqui precisa de recuar no tempo
nem das sereias que engolem o nevoeiro.
Ninguém aqui suporta que tu voltes
como um Desejado
com o seu cortejo de rotas feiticeiras
que gritem pelo teu nome junto aos becos do mar
com as suas luas gordas de saudade e preguiça.
Teu nome está de pé como um mastro
de cal rubra.
Estás aqui, entre nós, no meio do teu País.
Connosco vais contigo porque o povo assim o quis.

 

Armando da Silva Carvalho

“O Comum da terra” 3 de maio, Vasco Gonçalves, faria hoje cem anos

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Toda a fina flor do entulho socialmente mais asquerosa, capitaneada por Mário Soares e Carlucci, e o ódio visceral que vertem e continuam destilando contra Vasco Gonçalves, são por si só um elevado galardão. Ter o mérito de ser execrado pela matilha de corruptos, latifundiários e a direita revanchista, com Mário Soares como porta-bandeira e promotor de banqueiros entre os quais o DDT (dono disto tudo) e defensor acérrimo de Sócrates um dos maiores crápulas da nossa história, são referências para atestar qualquer honorabilidade.

MAS

Adorado pelo Povo

Cantado pela nossa melhor intelectualidade eis o homem vertical e impoluto:

O COMUM DA TERRA

"a Vasco Gonçalves”

Nesses dias era sílaba a sílaba que chegavas.
Quem conheça o sul e a sua transparência
também sabe que no verão pelas veredas
da cal a crispação da sombra caminha devagar.
De tanta palavra que disseste algumas
se perdiam, outras duram ainda, são lume
breve arado ceia de pobre roupa remendada.
Habitavas a terra, o comum da terra, e a paixão
era morada e instrumento de alegria.
Esse eras tu: inclinação da água. Na margem
vento areias lábios, tudo ardia.
"

Eugénio de Andrade

14/5/76, in Companheiro Vasco, Inova, Set. 1977

 

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