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Palavras são armas

“a luta de classes é a mãe de todas as lutas”

Palavras são armas

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Abraçar o futuro

2021 abril.JPG

Numa lixeira ao fundo do quintal, junto a um muro desventrado, por entre blocos de basalto, a roseira intrépida cumpria a sua condição de flor e, da base negra multiforme, todos os anos, em data aprazada pela natureza, uma rosa vermelha abria-se ao sol para me entregar uma mensagem de beleza e esperança.

Há imagens que marcam para sempre uma criança e essa rosa vermelha, "príncipe negro" de seu nome, os meus cinco, seis anos nunca mais esqueceram.

Muito mais tarde, num triturador de lixo (também denominado televisão) uma imagem brotou inesperada e relembrei essa flor?

Dez segundos de futuro, soterrados de imediato por sucessivas enxurradas de detritos televisivos; tempo suficiente para alertar os céticos que a esperança é forjada na luta inseparável de desaires e alegrias.

As manifestações estudantis eram notícia. Após carga policial, os alunos do secundário voltaram a reagrupar-se; jovens, faziam a aprendizagem da afirmação necessária. E como poderia ser de outro modo?

As câmaras passeavam-se por entre os manifestantes procurando pormenores, nem sempre dignificantes, e quando pensava que iriam continuar a soterrar-nos de imagens sem sentido, uma objetiva colhendo ternura chama a primeiro plano o rosto de uma jovem.

Fisionomia determinada onde a dor e a raiva se abraçavam e as lágrimas uniam, entoava: "Grândola, Vila Morena!".

Sentada no chão chorava, e por entre soluços sentidos semeando no presente melodias do passado recente onde leveda o futuro, cantava.

Na terra semeava lágrimas e canções no ainda débil viveiro do seu descontentamento. É por aí que se inicia a sementeira!

Ao levantar-se ninguém ou coisa alguma a poderá deter. A seara estava feita; penoso será o caminho que a levará à colheita. Como qualquer bom camponês há que estar atenta e recomeçar, recomeçar sempre, sempre, sempre!

Este rosto guardei-o na galeria das belas imagens da minha vida, porque me deu força para continuar a acreditar que o testemunho é sempre bem entregue às gerações que nos sucedem.

 

E a quem o poderíamos confiar?!

 

Consolidemos o 25 de Abril de 74, Sempre!

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